A viagem ia muito bem, claro, se não levássemos em conta o calor infernal e vento inconstante da Ruta 3, quando paramos para abastecer a moto em um posto YPF, perto do Balneário Las Grutas, localizado no Golfo San Matías, ainda em Río Negro.
Durante o percurso, andávamos uns 150km e abastecíamos a moto, o que teria ocorrido se houvesse nafta (gasolina) no local.
A informação era que no final da tarde o caminhão de combustível ia abastecer o posto. Vimos aquela fila enorme de carros que aguardavam a tão esperada nafta e resolvemos reservar uma noite num hotel de beira de estrada que ficava ao lado, com um custo de $300,00 pesos argentinos, mais ou menos R$150,00.
No posto, conhecemos o Santiago, que vinha de Buenos Aires e também queria abastecer sua moto. Ele andava com uma Falcon com um bidón (galão para carregar combustível) amarrado a sua moto e nos disse que era permitido seu uso na Argentina.
Mais tarde, um policial local com quem falamos no posto nos informou que se a polícia não visse o bidón, não teríamos problema, pois é ilegal... eu hem!
Pra piorar a situação, faltou luz e o calor só aumentava sem ar condicionado no restaurante do posto.
Santiago nos recomendou ficar à beira da praia em Las Grutas, pois como era praiano, deveria ter mais opções de hotel e lá fomos nós descobrir que não havia vagas nos hotéis pois estavam cheios de turistas locais.
Trocamos telefone com o Santiago, que foi procurar um amigo local para dormir naquela noite.
Depois de muito procurar, encontramos um hotel longe da praia por $410,00 pesos argentinos, sem frigobar, com café da manhã, sem suco, com medias lunas e pães contadas por pessoa, sendo o excedente cobrado, sem nada de mais.
Mais tarde descobrimos que além da falta de gasolina, a cidade tem problemas com falta de água e falta de energia elétrica. Imaginem: naquela cidade falta gasolina, luz e água, que lugar pra passar as férias?!?!?!!
Passamos toda a tarde andando pela cidade procurando o tal bidón em ferraterias (ferragem) e acabamos por comprar um que quase derreteu no primeiro uso.
Para piorar a história, resolvemos comer um pancho perto da praia e, como faltava luz muito seguida, a maionese não caiu muito bem e ainda começava um temporal.
Fomos pro hotel descansar, depois de caminhar muito, e no dia seguinte o Nelson saiu bem cedo pra procurar gasolina, sem nenhum sucesso. Sem contar que o vento levava a moto pra pista contrária e pra fora do acostamento o tempo todo...
Decidimos ir pra fila do posto onde estávamos até que chegasse o caminhão de abastecimento.
Lá conhecemos um alemão de nome Christopher que estava viajando há três meses e ainda tinha mais cinco meses de estrada pela frente na sua XT600 1990, que lhe custou mil euros. Ele perguntou se poderia abastecer junto conosco; respondemos que não nos importávamos, desde que os outros da fila aceitassem.
Resumindo, chegamos em torno das 11h e saímos depois das 16h do posto com o tanque da moto e o bidón abastecidos e junto com o Christopher, que carregou o bidón em sua moto rumo a Puerto Madryn. Durante o trajeto ele falava conosco em inglês e em espanhol com os locais, o que nos causou tremenda confusão mental, pois o grupo falava em português, inglês e espanhol alternativamente.
Puerto Madryn fica para o próximo post.
Nelson e Beti
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